• Ensaios

    Carta a um ausente

    O ano era 2010. Exatamente na noite de 19 de maio, eu já estava há nove dias internada. Minha bolsa havia rompido; estava com sete meses de gestação. Os médicos me avaliavam todos os dias e me diziam: “Não importa quanto tempo você fique nesta maca, deverá ficar quieta, segurando o bebê, para o amadurecimento total dele para o parto”. Não importa o quão imóvel eu permanecia, o líquido amniótico continuava se esvaindo; restava pouco para o conforto fetal. Nesta noite, eu fui neurótica. Eu simplesmente pressentia que já não havia mais tempo, não sentia mais ela dentro de mim. Eu estava só, vivendo a maternidade de todos os piores…